"Quantas vão ter que perder seus filhos?", diz mãe de adolescente morto em Paraisópolis

"Quantas vão ter que perder seus filhos?", diz mãe de adolescente morto em Paraisópolis

Mãe de uma das 9 pessoas mortas pisoteadas na comunidade de Paraisópolis, na Zona Sul de São Paulo, Maria Cristina Quirino recebeu pela manhã uma ligação do Hospital do Campo Limpo para ir ao centro médico como responsável pelo filho de 16 anos. Ela disse à TV Globo que nem sabia que o menino tinha ido ao baile funk em Paraisópolis (eles moram na Zona Norte) (leia depoimento abaixo).

Ao todo nove pessoas morreram, segundo a polícia. A lista oficial de mortos ainda não foi divulgada. Algumas vítimas ainda estão sendo identificadas. Testemunhas dizem que PM fez uma emboscada. PM diz que criminosos que provocaramOuvidoria pede mudança no protocolo. O governador João Doria (PSDB) pediu rigor na apuração dos fatos.

Veja o depoimento da mãe:

"Meu filho saiu ontem para trabalhar. Ele trabalha como atendente em uma pizzaria. A gente mora na Zona Norte de São Paulo. Eu acreditava que ele estivesse na região. Fiquei até quase duas horas da manhã esperando ele chegar. Ele não chegou, então eu dormi. Acordei com meu coração pequenininho. Todo barulho que eu ouvia no portão de casa achava que era ele.

Meu telefone tocou, atendi o telefone. Era do Hospital do Campo Limpo pedindo o comparecimento de um responsável pelo Denis. Perguntei o que tinha acontecido. Não imaginei a gravidade da situação. Imaginei que meu filho estivesse no hospital todo quebrado, mas não morto.

Quando chego ao hospital me deparo que meu filho estava no baile funk de Paraisópolis, o famoso Baile 17. Eu sou contra esses bailes e vou ser contra sempre. Quero ver se um dia isso vai acabar.

Quantas mães vão ter que perder seus filhos numa situação como a minha? Eu perdi meu filho caçula. Meu bebê.

Não sei quem foi o amigo que chamou. Acredito que não teria ido sozinho. Onde eu moro tem muito disso [pancadões]. A polícia consegue inibir. Mas sai daqui vai para acolá. Por fim está acabando com a nossa juventude como acabou de acabar com o meu.

Cansei de implorar para ele não ir para esses lugares. Não tinha mais palavras, porque adolescente é rebelde. Meu filho era teimoso".

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